“Às vezes, tudo que você precisa é se reencontrar contigo mesmo. É pegar as malas recheadas de passado e aceitar que tudo ali já aconteceu e você aprendeu com cada mínimo erro e atitude. Chame a saudade pra conversar, sinta a nostalgia, está tudo bem em se rodear de sentimentos do seu antigo eu. Mas não esqueça do presente, não esqueça de alimentar sua alma com frutos do agora, não esqueça de se rodear com toda a luz do universo. Por vezes, o vazio recheia nosso peito e sentimos o abismo, mas é apenas um sinal de que seus olhos estão tão posicionados pro mundo, que esquece do seu próprio universo interior. Você deve alimentar sua alma, sair pra tomar um café consigo mesma, assistir aquele filme antigo que tanto gosta, ouvir aquela música que faz a própria escola de samba invadir seu corpo e te rouba o riso. Você merece um descanso, você merece ler mais uma vez aquele livro e sentir-se como a protagonista, desmontar de chorar e ficar imaginando como sua vida seria se fosse daquele modo. Você merece rir dos seus tombos e escrever poesias leves sobre a vida, sim. A vida é leve, a vida é como um moço que te chama pra dançar sobre uma corda bamba, e tu vais aprendendo a se equilibrar. Mas pro equilibrio acontecer, você precisa ser cuidada. Cuidada por si. Pare de procurar tanto em outras companhias a cura, apenas tu tens o remédio ideal pra sua dor interna e imensa. Aceite os términos, as idas, os amores, os amigos, as diversidades do mundo, os conhecimentos, o sorriso da vida pra você. Chame a vida pra valsear na pista, aceite-a, comemore e reflita. Veja tudo como a primeira vez, pois nunca sabemos qual é a última vez que veremos. Aprecie todos os tons da paleta, desde azul até o laranja. Aprecie todos os estilos musicais e tipos de literatura. Aceite merecer a si mesmo e aproveite o começo da valsa com a sua existência.”
— Júlia Amado.

